Encontro com Bernardo Milano | Bianca Sousa | Site Oficial

Encontro com Bernardo Milano

Oi, todo mundo!
Tudo bem com vocês?

Fiz esse especial para os leitores de Eterna: o som do amor (e Bernardo Milano) se sentirem vingados! Haha!

Divirtam-se!

P.S: Se você ainda não leu Eterna, leia antes de ler o texto abaixo, pois contém **SPOILER**

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Representação do que seria Bernardo Milano, personagem principal do livro "Eterna: o som do amor"


Acordei com alguém cutucando meu pé. Mas que saco! Quem será? Sem vontade de abrir os olhos, tentei encontrar uma posição mais confortável. Acomodei-me melhor no travesseiro, mas continuei sentindo o maldito cutuque. Ah, se fosse meu marido ou um dos cachorros ou o gato... Eles veriam só uma coisa! Teriam de aguentar os chiliques de um urso acordado no meio da hibernação, sentiriam a fúria de todos os deuses encarnados no corpo de uma só mulher!

Então, resignada, abri os olhos e encarei a fonte do meu mau humor.

Só não foi pior que o susto que tomei ao dar de cara com um desconhecido.

— SOCORRO! – Gritei desesperada.

Mas o homem agachado ao pé da minha cama apenas me observava quieto, como se tentasse descobrir algo além de mim. Esquadrinhou minhas feições em detalhes. Não me tocou mais. Apenas abriu a boca algumas vezes, não sabendo como dizer o que queria dizer.

Enquanto ele estava distraído com o estranho reconhecimento de meu rosto, tateei em direção a cômoda ao lado da cama, para pegar meu celular e discar discretamente para a polícia. Mas é claro que ele veria. Droga!

— Nem pense em fazer isso, Bianca! Eu preciso muito conversar com você.

Ele sabia meu nome. Como assim ele sabia meu nome?! Já que estava em desvantagem, resolvi ganhar tempo:

— Quem é você?

Ele me encarou incrédulo como se eu tivesse pronunciado algum impropério. Percebi que o feri.
— Desculpe, mas eu não me lembro de você. — Disse de uma vez.

Eu tenho dessas, sou sincera. Não fico fazendo sala, enrolando a pessoa, tentando desvendar de onde a conheci. Não tenho tempo nem paciência para esse tipo de coisa. Enfim, dessa vez, me dei muito mal por isso. Pois ele pareceu se irritar mais. Sua expressão ganhou um tom mais sério, carrancudo, ele tremia, parecia à beira de um ataque.

Ai meu Deus, cadê meu marido, meus cachorros?!

Ele se levantou, em menos de dois passos já estava cara a cara comigo.

— Não me conhece? Você disse que NÃO ME CONHECE??? — Ele arfava enquanto gritava a plenos pulmões — Durante mais de três anos você ficou em cima de mim, me fez ser o que sou hoje e vem dizer que não me conhece? O quão cruel você pode ser?

— Mas do que é que você está falando, pelo amor de Deus?!

— Não se lembra... Não se lembra! Já não bastava ter enfiado uma faca no meu coração, ter me feito conhecer o amor para depois me tirar dela, e então, me matar de novo, vem me dizer que não me conhece! Me disseram que você podia ser desalmada, mas não imaginei tanto!

Foi então que dei por mim. O homem alto, loiro de cabelos encaracolados e os olhos mais escuros que já vi era:

— Bernardo?

Ele, que estava andando em círculos ao pé da minha cama, virou-se incrédulo e ao mesmo tempo, feliz.

Chega! Isso estava além do bizarro! Quero acordar já! Agora! Maridinho lindo do coração, CADÊ VOCÊ? Para isso que pessoas casadas dormem juntas, para se ajudar quando uma delas estiver sendo perseguida pelo próprio personagem, ora essa!

Mais uma vez, gritei por ele.

— Ele não vai te ouvir.

— O que você fez com ele, Bernardo? O QUE VOCÊ FEZ COM ELE? E meus cachorros... — não tive coragem de terminar a pergunta.

Saí pulando da cama e corri pela casa, chamando por todos eles, mas de fato, não havia ninguém.
Enfurecida e com medo de que ele tivesse se vingado de mim pelo que eu havia feito, o ameacei:
— Se tiver feito alguma coisa para qualquer um deles, não vou hesitar em te matar pela terceira vez!
Ele parou no meio do corredor, completamente ferido pelo que acabara de ouvir. Pôs as mãos no coração. Aquilo doeu, eu senti.

Mas o que...?

Bernardo respirou fundo, se controlou. Ainda assim, vi seus olhos ganharem tonalidade de vermelho sangue. Eu também choraria se recebesse uma ameaça de morte depois de já ter morrido duas vezes.

— Desculpe... Eu... Não estava pensando direito quando disse aquilo. Quer dizer... Eu sei que você é bom e tudo o mais, mas você apareceu no pé da minha cama como um psicopata, isso não se parece com você... Soa mais como o Caio.

PQP! Caio! Se Bernardo existia e veio atrás de mim, Caio também viria. Gelei.

— Ele não vai te atrapalhar. Não agora. Esse momento é meu e seu.
— O que você quer de mim?
— Saber por que você me fez assim.

Eu olhei para Bernardo com compaixão. Ele era um homem brilhante, talentoso, doce, divertido, inteligente e cheio de humor. Era o homem perfeito e eu o matei.

— Desculpe, eu não sei.

"Como?", ele pensou e eu ouvi o pensamento dele. Arregalei os olhos com a nova descoberta.

— Como? — ele disse por fim.

Quer dizer que eu podia prever as ações dele? Eu podia mudar o destino? Tinha esse poder em mãos? Eu? Pobre de mim!

— Eu não sei, Bernardo. Simplesmente, fazia parte da história. Foi o que tinha de ser. E... E... Sinto muito! Eu chorei quando te matei nas duas vezes, na última mais que na primeira, você sabe
.
— Eu sei, — a voz dele era só um sussurro — mas ainda assim, não entendo. Por que eu?

— Porque a história era sobre você e Cecília. O casal mais lindo que eu já vi na vida e eu os amo. Me perdoe se estraguei tudo para vocês, talvez eu possa recompensar.

De repente, a face de Bernardo se iluminou.

— Você faria isso por mim?

— É o que uma mãe faz pelo filho, não? Eu quero um “felizes para sempre” pra vocês.

— Então por que você me deu aquele final? Quer dizer, a Cecília... O que aconteceu com ela?

— Ah, Bernardo, o destino dela é um pouco mais longo que o seu, ela ainda tem algumas histórias para me contar.

— E quando você se cansar dela, vai fazer o mesmo que fez comigo.

— Isso não foi uma pergunta.

— Não.

— Eu vou dar o final que vocês merecem, é só ter paciência.

— Ela foi feliz?

Ele me olhou com aqueles olhos incrivelmente inocentes, me pedindo sinceridade.

— Não sei bem como responder essa pergunta. Até onde eu sei, ela teve seus momentos.

— Ela conheceu outro cara?

— Alguns.

— Alguns? — Se espantou. O bichinho do ciúme o picou, mas depois passou. Ele entendia sua condição.

— Mas onde está meu marido, Bernardo? Você ainda não me disse.

Ele revirou os olhos como se fosse muito óbvio e eu estivesse dando chilique à toa.

— Foi passear com os cachorros. Não te acordou porque te achou linda dormindo. Ele tem razão.
Mas é um xavequeiro mesmo!

— E meu gato?

— Até parece que não sabe que ele tá andando por aí, no telhado dos outros.

Eu ri. Ele também.

— Me diz, qual é a daquele gato da Cecília, o Derek?

— Ai... Você é sempre assim, tão cheio das perguntas? Isso parece Cecília, não você.

— Que absurdo! Você deveria me conhecer melhor que ninguém! Pelo jeito a criatura está superando o criador.

— Pelo jeito sim, você até criou vida.

— Você me deu vida.

— Eu te escrevi.

— E isso me criou. E eu te amo e odeio por isso, você me amaldiçoou, mas também me levou ao paraíso.

— E como é lá?

— Talvez um dia você veja com os próprios olhos. Quem sabe?

— Ai, Bernardo! Para de ser pentelho!

— Não! Você me matou, porra!

Crispei os olhos para ele. Eu nunca teria uma resposta ou contra-argumento àquilo.

— Você precisa me perdoar. Eu te amo, amo a Cecília, vou dar o final que vocês merecem.

— Quando e como vai ser?

— Você vai saber.

Agora foi a vez dele crispar os olhos, em descrença.

— Você é muito cínica!

— E você é abusado! Adora invadir a casa dos outros, onde já se viu? Angelique não te criou desse jeito! Humpf!

Ele abriu o sorriso largo e deu uma gargalhada gostosa. Gosto mais dele assim.

— Você tocaria Eterna pra eu ouvir?

— Não sei se você merece.

— Por favor! — Implorei, não o obrigaria a mais nada. Apesar de tê-lo matado, eu dava voz a meus personagens. — Eu nunca quis te fazer mal, Bernardo. Eu só queria escrever uma história bonita e triste, uma que grudasse na cabeça das pessoas para elas deixarem de ser tão céticas no amor. Pra mostrar que mesmo nas situações mais impossíveis ele pode acontecer. Assim como foi com você e Cecília. O amor de vocês é isso, afinal de contas.

— Um sacrilégio.

— Um milagre.

Ele sorriu daquele jeito que Cecília adorava e eu entendi o porquê ela gostava tanto.

— O que me faz bem, mesmo quando estou triste é saber que tive uma vida boa. Obrigada por não me fazer tão miserável.

Dei um sorriso amarelo sem graça.

— Vai tocar para mim ou não, regulado?

— E eu tenho outra escolha? — Arregalou os olhos, inconformado.

— Não vou te obrigar a nada! Você toca se quiser.

— Mesmo?

— Mesmo.

Ele avaliou a nova possibilidade e pareceu ter gostado. Sorriu.

— Então, nesse caso, eu toco.

— Oba! — Bati palminhas, toda feliz.

— Você tem um violoncelo por aí?

— Mas é claro... que não!

— Bem, você sempre pode escrever um. — Olhou sugestivo para uma pilha de papéis que estava jogada na mesa de centro da sala de estar.

— Pensei que não quisesse que eu te guiasse.

— Escreve logo a porcaria do violoncelo antes que eu mude de ideia!

— Tá bom! Tá bom!

Apressei-me sobre o sofá, pegando algumas folhas e uma caneta que não funcionava. Que droga! Ele me estendeu outra, rindo daquele meu jeito atrapalhado.

Escrevi. Escrevi. Escrevi. Deu quase uma folha inteira.

— Nossa! Pensei que já tivesse começado a escrever a continuação... — Debochou da minha demora.

— Você fica na sua arte que eu fico na minha, manolo. Falou!?

— Ui! Agora descobri por que a Cecília é tão bravinha.

Sentei e esperei. E esperei.

— E então, Bianca... Não vai acontecer nada?

— Logo mais. — Olhei aflita para o relógio na parede da sala.

Campainha.

Saí correndo para atender. Era ela. Toda linda e dona de si, trazendo o violoncelo dentro da case.

— Oi! Desculpa o atraso, é que me perdi. Faz tempo que não ando por essas bandas! — Se desculpou.

— Imagina, Cecília! Você chegou na hora em que deveria chegar. — Sorri, satisfeita — por favor, entre.

Ela pediu licença e andou a passos largos, fazendo toc toc com a bota de cano alto.

Cheguei a tempo de ver a reação de Bernardo. Como era um pouco teatral e angustiado, deu para ver certinho o choque em seu rosto, mas vi também alegria e alívio. Foi bonito ver os dois se abraçando, e chorando, e se abraçando, e se beijando.

— Meu deus! Vão prum quarto vocês dois!

Eles riram.

— Bianca, eu... Eu não sei o que dizer... — Cecília começou.

— Não precisa, eu sei o que estão sentindo.

E sabia mesmo. A saudade era tanta que chegava a doer. Era muito amor acumulado.

— Ande, toque pra ela, Bernardo!

Ele sorriu para mim muito grato por aquele momento.

Pegou uma cadeira na cozinha e trouxe para a sala, sentou para que pudesse tocar o violoncelo melhor.

Por alguns minutos fiquei hipnotizada. A música era tão linda, a conexão daqueles dois era tão majestosa que chorei emocionada.

— Eu vou fazer vocês felizes, de algum jeito, mas vou.

Bernardo sorriu um tiquinho, quase imperceptível. Cecília nem me deu bola. Não perderia um segundo de contato com seu amor.

Assim que terminou, os mandei de volta para casa, jurando cumprir minha promessa.

Pouco depois, meu marido chegou com os cachorros. Todos exaustos da corrida.

— Bom dia! Acordou bem?

E como...!

— Deixou eles bem cansados, hein!? — Disse enquanto dava carinho a eles e um beijo cheio de saudade e alívio.

— Que é isso no chão? — Ele perguntou.

Olhei na direção em que ele apontava. Putz! Eram gotas de sangue. Bernardo se emocionava muito. Isso não era nada prático, viu...

— Er... Eu... Cortei meu dedo enquanto cortava pão...

— Você é um perigo!

— Ainda bem que tenho você para me cuidar! — Sorri para ele enquanto já pensava em todo o trabalho que teria pela frente.

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Sinopse do livro:

Eterna livro
Bernardo Milano é um violoncelista talentoso que tem sua vida arrancada de forma abrupta: é assassinado no dia de sua estreia como solista no Theatro Municipal de São Paulo.

O crime choca todo o país, em especial a cientista Cecília Ferreira que sem saber, faz um trato com uma entidade voodoo. Bernardo desperta de seu túmulo, mas o milagre veio acompanhado de uma maldição: se de dia ele vive, à noite sua verdadeira face cadavérica é exposta.

Contra todas as (im)possibilidades, Cecília e Bernardo recebem do destino uma segunda chance. Conseguirão burlar a morte e fazer com que esta não se revele um caminho sem volta?

Bianca Sousa

Escritora. Fantasia e Romance. Autora de "Eterna: o som do amor", "Eternamente sua", "O canto do cisne" e "O dia que o Sol não nasceu".

Um comentário:

  1. OMG! Chorei outra vez Bianca! Pude sentir até a saudade da Cecília e do Bernardo. Só acho que você deveria escrever Eterna 2 e juntar esses dois outra vez. Faz outro pacto, faz ele voltar, sei lá... Essa historia vai ficar realmente no meu coração! <3

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Ei, obrigada por passar aqui!